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Saudade, 11/11/2010
Não sei o quê escrever hoje. Sinto apenas saudade: uma seca de presença, uma chuva de ausência; céu e terra de distância, espaço sem medida da falta. Esse vazio cheio de ausência hoje me engolfa, afogo-me nesse oceano seco, naufrago em pó de lágrimas. Do que fui lá, à beira mar, pouco me resta. Como quem atravessa três rios esquece seu bem querer, insisto na lembrança. Ainda me falta um último rio largo para atravessar e tudo virar o fluido do esquecimento. Saudade do que fui um dia, sob o sol de Ipanema. Lembro a canga esvoaçante enquanto brincava de perseguir você, Manu, tão pequena em seu maiô vermelho. Vejo a foto sem vê-la: não está impressa em papel fotográfico à minha frente, mas fixada no fluxo entre meus neurônios, no coloide lembrança. Desse caldo me nutro quando o coração aperta. E a lonjura se aperta, apequena-se, comprime-se... para logo estender-se novamente, elástica, desdobrando-se por quilômetros até o Grajaú. Da rua 34 ao Grajaú, quanta saudade se guarda? Quanta lembrança se eleva desse chão chão, de tanta distância, como a cobrir o sol que queima a memória de ter-te ao alcance de meus braços? Queria muito abraçar-te agora...

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