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Capitulo Primeiro


A luz suave enfraquecida pelo filtro semi transparente do vidro da janela revela minusculas particulas de pó que dançam em sintonia perante uma audiência inanimada, constituida por um misto de mobilia antiga e peças de decoração casual. No único quarto da casa, em cima da cama de casal, jaz um homem no fim dos seus trinta anos,
em estado de sono profundo e prolongado. Junto dele, um retrato digital tombado reproduz uma sequência ininterrupta de sorrisos familiares imortalizados no passado recente. O ruído da cidade, mal abafado pelas finas paredes do apartamento, é incapaz de quebrar ausência de John, mesmo adicionado do choro histérico de um vizinho recém nascido e dos suspiros desesperados do progenitor para o acalmar. John está longe e não mostra sinais de despertar. São 11 da manha, e o multi-com pisca furiosamente.
Um tom de alta frequência começa-se a fazer ouvir gradualmente ao ponto de se tornar incomodativo a potênciais ouvintes quando subitamente uma micro descarga é disparada directamente nas temporas de John.
John abre os olhos.
- "Olá John.." - profere uma voz feminina perfeitamente sintetizada - "... como se sente?" - o silêncio interrompido é brevemente reposto durante segundos.
- "Bem..." - responde pausadamente.
- "Recordo-lhe que por ordem expressa do seu clinico atribuido, não deverá utilizar o dispositivo indutor nas proximas 24 horas, ou poderá incorrer em severas lesões no Cortex cerebral, Tálamo e..." - John ignora o resto do aviso, a sua atenção dirige-se agora para o retrato digital tombado e a nostalgia propaga-se lentamente pelo seu rosto. Senta-se no beiral da cama, tentando de imediato acordar o resto do corpo ainda dormente. Ingere duas pastilhas esféricas de cor avermelhada e ergue-se em direcção ao multi-comm, cambaleando, sentindo ainda os fortes efeitos do indutor soporífero.
- "Tem... dez ... chamadas não atendidas. Ultima chamada de ... Vincent Cremona, astronomer and scholastic philosopher ..." - imediatamente John ordena - "Tocar mensagem!".
A voz começa a fazer-se ouvir após breves segundos de silêncio - "... John ..." - Vincent pausa, distingue-se a respiração irregular quase imperceptível no ruído da gravação - "...há dois dias que tento entrar em contacto contigo, necessitamos de falar, o mais breve possível... contacta-me".
Os efeitos do sono induzido estavam practicamente ultrapassados, e John estava agora plenamente consciente..
- "Liga a Vincent Cremona.." - ordena calmamente enquanto se dirige à copa da cozinha. Prepara um café e degusta-o com pequenos goles. Ninguém atende.
- "Tenta novamente, tenta a clinica.." - interrompe para acabar o último trago de café - " .. e M.I.A., se voltar a não atender, chama um táxi."
- "Destino?" - M.I.A. pergunta.
- "Residência do Vincent..." - John responde.

A claridade escassa do amanhecer ia preenchendo lentamente a sala de estar,

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