Eu comecei a andar com um caderninho para não esquecer o que me vinha na cabeça. Esqueci o caderninho. Na verdade, o que me agonia não é esquecer, é que minhas ideias só funcionam na hora. Eu me corroí na hora, vendo que aquele meu amigo tinha mudado tanto. Me lembrei de que uma vez, tive a ideia de odiar mudanças. Naquela época, eu as odiava por não me avisarem (e eu odeio quando não me avisam de algo tão importante). Agora, eu odeio porque elas fazem esse tipo de coisa: fazem as pessoas se esquecerem de mim.
Não que eu quisesse ser inesquecível; eu não quero. Meu senso de egocentrismo não deixa, sei que é pedir demais. Só queria que meus amigos não fossem tão mutáveis. Mesmo que eu seja tão mutável quanto eles, mesmo que essa minha mudança de humor me transforme todos os dias.
Outra vez, decidi rejeitar o amor. É como, no dia da ressaca, gritar: "Ah, o amor. Ou não me escolheu, ou não existe; não me quer, mas agora também rejeito".
Mas ando tão indiferente. Nesse momento nem chega a ser dramático dizer que não, ele não existe, em vez disso traga-me um copo de leite, mas bem gelado, por favor.
Esqueci, perdi o raciocínio. Eu me canso de falar do amor, ah, o amor, etc etc etc. Ando me cansando tão facilmente, creio que é esse o motivo de fazer questão de esquecer minhas ideias tão instanteneamente. Por isso estou eu lá, na porta do psicólogo e a ideia de que tudo que eu penso pode virar uma página chegando, e eu resolvi esquecê-la.
Mesmo assim, essa sou eu colocando todas as minhas ideias numa página que custa a terminar. Essa sou eu remoendo de novo esses pensamentos que, meu Deus, só fazem me infortunar (infortúnio com a funérea com quem? com a funérea). E essa (pra variar pedindo desculpas pela repetição) sou eu, incomodada com minhas rimas (involuntárias), fazendo questão de não seguir a métrica natural pro conforto (meu conforto).
Pensando (sempre) bem, eu prefiro pensá-los. É como exercitar minha mania de criar nomes e aparências para personagens que eu nunca vou ter a oportunidade de desenvolver, por pura preguiça ou falta de atenção ou de oportunidade. Basicamente, por esquecimento.
Chega de parênteses. Tenho que começar a seguir um rumo e não me desviar dele. Talvez me lembrando de como eu odeio quando começo um jogo de palavras cruzadas e não consigo terminar. O problema dessa mania de ver a resposta ou olhar o detonado é que eu me desacostumo da vida real. Qual seria o problema em um botão de FF? Eu ficaria satisfeita com um ctrl+F. Sempre me esqueço de pedir quando me lembro de fazer minhas orações.
O mais irritante é esquecer de sorrisos, de vozes, isso eu não me perdôo. É que já esqueci um monte. Mal posso me lembrar a cor das minhas meias ou a letra da minha música preferida. Será que já posso me preocupar? Um dia eu lembro de procurar um médico.
Provavelmente não.
Não que eu quisesse ser inesquecível; eu não quero. Meu senso de egocentrismo não deixa, sei que é pedir demais. Só queria que meus amigos não fossem tão mutáveis. Mesmo que eu seja tão mutável quanto eles, mesmo que essa minha mudança de humor me transforme todos os dias.
Outra vez, decidi rejeitar o amor. É como, no dia da ressaca, gritar: "Ah, o amor. Ou não me escolheu, ou não existe; não me quer, mas agora também rejeito".
Mas ando tão indiferente. Nesse momento nem chega a ser dramático dizer que não, ele não existe, em vez disso traga-me um copo de leite, mas bem gelado, por favor.
Esqueci, perdi o raciocínio. Eu me canso de falar do amor, ah, o amor, etc etc etc. Ando me cansando tão facilmente, creio que é esse o motivo de fazer questão de esquecer minhas ideias tão instanteneamente. Por isso estou eu lá, na porta do psicólogo e a ideia de que tudo que eu penso pode virar uma página chegando, e eu resolvi esquecê-la.
Mesmo assim, essa sou eu colocando todas as minhas ideias numa página que custa a terminar. Essa sou eu remoendo de novo esses pensamentos que, meu Deus, só fazem me infortunar (infortúnio com a funérea com quem? com a funérea). E essa (pra variar pedindo desculpas pela repetição) sou eu, incomodada com minhas rimas (involuntárias), fazendo questão de não seguir a métrica natural pro conforto (meu conforto).
Pensando (sempre) bem, eu prefiro pensá-los. É como exercitar minha mania de criar nomes e aparências para personagens que eu nunca vou ter a oportunidade de desenvolver, por pura preguiça ou falta de atenção ou de oportunidade. Basicamente, por esquecimento.
Chega de parênteses. Tenho que começar a seguir um rumo e não me desviar dele. Talvez me lembrando de como eu odeio quando começo um jogo de palavras cruzadas e não consigo terminar. O problema dessa mania de ver a resposta ou olhar o detonado é que eu me desacostumo da vida real. Qual seria o problema em um botão de FF? Eu ficaria satisfeita com um ctrl+F. Sempre me esqueço de pedir quando me lembro de fazer minhas orações.
O mais irritante é esquecer de sorrisos, de vozes, isso eu não me perdôo. É que já esqueci um monte. Mal posso me lembrar a cor das minhas meias ou a letra da minha música preferida. Será que já posso me preocupar? Um dia eu lembro de procurar um médico.
Provavelmente não.